a concepção imaculada Je
vous salue Marie de Jean-Luc Godard
- o exame ginecológico de Maria e o diagnóstico de gravidez da virgem [52'45"]
Para o médico - homem,
"há um mistério" - a mulher.
"- E agora, você acredita?
- É verdade que é verdade.
- Vai dizer a José?"
a concepção e o amor
A casa dos espíritos de Bille August
- amor erótico e concepção [48'24"]
No confessionário católico,
o grande pecado, o amor na origem da concepção.
"Os movimentos trêmulos,
a abundância de secreções,
as palavras sussurradas no ouvido dela,
os estranhos odores secretos.
Um verdadeiro milagre."
Junior de Ivan Reitman
- a concepção in vitro; "emprenhando" um homem [30'30"]
A imaculada concepção in vitro.
Uma boa dose de "Engravidol" + progesterona + estrogênio e temos um homem
grávido.
A abstração da maternidade.
Je vous salue Marie de Jean-Luc Godard
- a barriga de Maria [1:33'40"]
Ave Maria!
"Deus é um vampiro que quis me
sentir nele porque eu sofria e ele não sofria e tirava proveito da minha dor."
O ventre. O baixo-ventre.
Junior de Ivan Reitman
- a plenitude do "grávido" [59'10"]
O estranhamento da barriga grávida em um
macho...
O sentimento de fusão e plenitude...
parte
2: a gravidez

A excêntrica família de Antonia de
Marleen Gorris
- "A gravidez é maravilhosa!" [51'10"]
Barrigas.
Ode à gravidez e ao parto.
A fêmea em busca do garanhão inseminador:
a gravidez sem pai.
Junior de Ivan Reitman
- pré-natal e ultrassom [59'10"]
A gravidez só com pai: só
"juniors".
"Tudo certo, exceto que a mãe é o pai."
Nove meses de Chris Columbus
- o pai vê o ultrassom [1:05'20"]
O ultrassom e os afetos:
o pai ausente transforma-se pela visão do coração palpitante do filho na fita de vídeo
do ultrassom.
Só vídeo, só olhar.
A excêntrica família de Antonia de
Marleen Gorris
- "Acho que estou grávida" [1:21'21"]
O anúncio da gravidez. A comunidade
palpita: dissenso, alegria.
Quer? Não quer?
"Vou pensar seriamente."
A grande família de Stephen Frears
- "O quê?!" [início]
O anúncio da gravidez da filha
adolescente numa família operária irlandesa: "O quê?!"
"Você quer essa criança?"
O futuro é mulher de Marco Ferreri
- uma família particular [56'32"]
"Eu não quero que vocês briguem por
minha causa..."
A força erótica, impura, liminar, ameaçadora da barriga.
Nove meses de Chris Columbus
- o pai ouve o coração do bebê no cardiotocógrafo [1:19'15"]
O pai, antes ausente, visita a frágil
gestante ferida, monitorada pelo cardiotocógrafo.
"Que som é esse?"
Enfeitiçado pelos batimentos cardíacos do feto, o pai confessa sua transformação e
declara o seu amor...
Em contraste, outra imagem comum do pai: o
ridículo.
O exagero máximo do pânico na hora de ir para a maternidade.
A caricatura do parto como urgência médica.
parte 3: o parto
O bebê santo de Mâcon de Peter
Greenaway
- "A primeira contração!"; o nascimento do bebê [14'30" até
22'45"]
A cena barroca do parto com
parteiras-feiticeiras.
A audiência: os poderes financeiros, aristocráticos, eclesiásticos e o povo.
As parteiras tratam o parto da mulher idosa como fato abjeto, até que... dá-se o
milagre.
O milagre ou o truque? O bebê santo nasce cantando.
O menino. O Natal.
"Nascemos mesmo assim?"
Chouans! Três destinos de Philippe de
Broca
- os nascimento dos dois orfãos [5'00" até 10'10"]
Século XVIII: o quarto da parturiente
ainda está cheio como um teatro. O marido, entretanto, espera notícias num outro
aposento...
A coisa se apresenta mal. O médico é
chamado a intervir na cena do parto domiciliar com parteiras, mas o resultado é, assim
mesmo, a morte materna; contrastando com o bem sucedido parto solitário e noturno sob a
chuva.
Os amores de Moll Flanders de Pen Densham
- o nascimento de Moll Flanders na prisão [12'13"]
- Moll Flanders pare sozinha [1:43'54"]
Mais uma vez, nascimento-morte.
Mais uma vez, o parto solitário.
A continuidade.
Ana Karenina de Bernard Rose
- parir com parteiras [1:26'22"]
Século XIX: mais uma vez, a inutilidade
do homem nesta cena de mulheres...
A casa dos espíritos de Bille August
- parir com parteiras [1:00'00"]
Século XX: no princípio do século, no
Chile, ainda um parto em casa com doula e parteira...
O boi de Sven Nykvist
- parir com parteiras [1:11'25"]
Parto conduzido por mulheres na Suécia:
"Enfim, há um homem na casa outra vez."
Virgina de Srdjan Karanovic
- parir sozinha [12'53"]
Parto solitário na misógina Iugoslávia
rural: o homem assiste à distância, com toda sua atenção dirigida para o sexo do bebê
que virá...
A grande família de Stephen Frears
- parir no hospital [1:20'00"]
Parto assistido por médicos num hospital
público da Irlanda.
Anestesia peridural: a insolência do anestesista.
O parto "à inglesa", em decúbito lateral esquerdo, com obstetrizes. A médica
é chamada para aplicar o fórceps.
O jornal de Ron Howard
- cesárea de urgência [1:41'30" até 1:47'42"]
Cesárea de urgência. Caricatura
dramática da medicalização total do parto.
No final, a vitória da técnica permite a troca de olhares entre o pai e seu bebê
através do vidro do berçário.
(Em algum outro lugar, há uma mãe se recuperando da cirurgia, sob os cuidados da
medicina).
Nove meses de Chris Columbus
- os partos cômicos; o berçário; o nana-nenê com o pai
[1:25'10" até o final]
Tudo outra vez, recomeça a cena-clichê
das macas em alta velocidade pelos corredores de um hospital. Caricatura cômica da
medicalização do parto.
Contrações, dilatações. Tudo culminando num parto-pastelão, no espaço dessacralizado
de um moderno hospital de São Francisco, no final do século.
O pai, antes ausente, agora com sua presença patética; como, aliás, a presença do
médico, tão principiante quanto o pai.
De novo, o berçário-clichê: emoções
para pais.
A cena em casa: o choros noturnos; o
nana-nenê; a tríade; a família.

A Natividade (detalhe)
de Georges de La Tour,
século XVII
(Museu de Belas-Artes, Rennes)
parte 4: partos míticos
Mahabharata de Peter Brook
[21'30"]
Nascimento de 100 filhos: uma gesta, uma
casta.
Macunaíma de Joaquim Pedro de Andrade
[início]
Nascimento de um anti-herói:
representante de uma "raça".
O Pequeno Buda de Bernardo Bertolucci
[24'00]
Nascimento de Buda. Ao final, o
contraponto com a concepção cristã do início. Ao ser expulsa do paraíso, Eva é
punida com as dores do parto. Buda nasce de um parto quase sem dor. Nasce a criança
consciente.
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