"Mais do que
multiplicidades arborescentes e outras que não o são, há uma
arborificação das multiplicidades. É o que acontece quando os buracos
negros distribuídos num rizoma se põe a ressoar juntos, ou então quando
os caules formam segmentos que estriam o espaço em todos os sentidos, e o
tornam comparável, divisível, homogêneo (isto foi visto especialmente
no caso do Rosto). É também o que sucede quando os movimentos de
'massa', os fluxos moleculares, se conjugam sobre pontos de acumulação
ou de parada que os segmentam ou os retificam. Porém, inversamente, ainda
que sem simetria, os caules de rizoma não param de surgir das árvores,
as massas e os fluxos escapam constantemente, inventam conexões que
saltam de árvore em árvore, e que desenraizam: todo um alisamento do
espaço, que por sua vez reage sobre o espaço estriado. Mesmo e sobretudo
os territórios são agitados por esses profundos movimentos. Ou então a
linguagem: as árvores da linguagem são sacudidas por germinações e
rizomas. Por isso, as linhas de rizoma oscilam entre as linhas de
árvores, que as segmentarizam e até as estratificam, e as linhas de fuga
ou de ruptura que as arrastam."
Gilles Deleuze e Félix
Guattari, Mil Platôs
(vol.5, cap.15: Regras Concretas e Máquinas Abstratas).
São Paulo, Ed.34, 1997; p.221.
(Tradução de Peter Pál Pelbart)