a criação se faz em gargalos de estrangulamento. mesmo numa língua dada, mesmo no francês por exemplo, uma nova sintaxe é uma língua estrangeira dentro da língua. se um criador não é agarrado pelo pescoço por um conjunto de impossibilidades, não é um criador. suas próprias impossibilidades, e ao mesmo tempo cria um possível. é preciso lixar a parede, pois sem um conjunto de impossibilidades não se terá essa linha de fuga, essa saída que constitui a criação, essa potência do falso que constitui a verdade. é preciso escrever líquido ou gasoso, justamente a percepção e a opinião ordinária são sólidas, geométricas. abandonar a terra. mas tornar-se tanto mais terrestre quanto se inventa leis do líquido e do gasoso de que a terra depende. o estilo, então, tem necessidade de muito silêncio e trabalho para produzir um turbilhão no mesmo lugar, depois lança-se como um fósforo que as crianças vão seguindo na água da sarjeta. pois certamente não é compondo palavras,
que se faz um estilo. é preciso abrir as palavras, rachar as coisas, para que se liberem vetores que são os da terra. todo escritor, todo criador é uma sombra.
em relação ao corpo. a verdade é da ordem da produção de existência. não está dentro da cabeça, é algo que existe. o escritor emite corpos reais. no caso de Pessoa são personagens imaginários, não tão imaginários, porque se lhe dá uma escrita, personagens fazem.
sistema
"viajamos e vimos muito", onde o autor primeiro faz as coisas e em seguida
relata. o narcisismo dos autores
anto, é impossível que não nasça a nova raça de escritores que já estão aí
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